terça-feira, 31 de março de 2009

PROJETO CROQUI - A EXPERIÊNCIA PRÁTICA DE ATRAVESSAR O ESPELHO





A aderência ao corpo mais evidente é certamente a roupa: embalagem que vela e desvela, simula e dissimula. Fisicamente autônoma, ela é, entretanto, intimamente ligada ao corpo do qual recebe odores e calor e ao qual oferece um estatuto. O tecido cortado ou drapeado torna-se imagem no momento em que é vestido. Não é por acaso que as revistas de moda vendem as roupas em manequins e não simplesmente desenhadas ou fotografadas. Na sua variedade, a roupa decide o que mostrar ou esconder e fixa, simbolicamente, certas partes anatômicas. O corpo é protegido por estas camadas intermediárias entre ele e o mundo, carapaça maleável que o solidifica e amortece o choque das agressões. (VILLAÇA, 2007, pág. 142)


O Projeto Croqui caminha nesse sentido de revelar o desenho e o estudo da roupa na própria roupa. O que seria pensado no papel está apontado na própria peça. Daí a relação com o espelho que remete a várias metáforas, tanto em histórias, na moda, quanto na arte e na própria vida.

Partindo desse princípio o Projeto Croqui consiste na criação de algumas peças inspiradas em seu próprio raciocínio de criação, esboço da idéia, croquis e trajetória dessa coleção como cores, aplicações etc. Apresentará essa idéia através de riscos, desenhos feitos a mão na própria peça a ser criada.

O olhar e a interpretação serão definidos somente na presença da roupa, cada detalhe tem uma informação a ser seguida, é o esboço da roupa inserido nela mesma, um espelho de criação, o espelho do traço.



PARA OUVIR E RELAXAR!!! CLIQUE NO PLAYER...
Hans Zimmer - Safe Passage
Akon feat Snoop Dogg - I Wanna love you

quinta-feira, 26 de março de 2009

Release

O Mercado da Salvação surgiu em 2005 com a intenção de ser uma única coleção de roupas caracterizada por trabalhar com imagens sacras, indianas e vários atributos místicos. Com o passar do tempo, essa coleção ampliou seu espaço e atingiu novos “devotos”. Participando da produção de figurinos de bandas, artistas plásticos, cantores e cantoras e músicos em geral, intensificou ainda mais seu trabalho. Presente em Mercados Alternativos nas cidades de Juiz de Fora, Rio e Ibitipoca conquistou cada vez mais um público que além da fé busca a estética , a arte e exclusividade.
Atualmente o Mercado da Salvação passou de coleção para marca trabalhando com novos produtos além das roupas. Suas peças são exclusivas e personalizadas, com diversas estampas com referência aos Santos, Orixás, São Jorge, Deuses Indianos e amuletos com acabamentos artesanal como bordados, apliques, cetins, pedrarias e outros. Além disso deixa explícito nas roupas marcas de corte, rasgos, efeitos de queimados, sobreposições proporcionado assim, um diálogo da Moda com a Arte de forma experimental buscando sua identidade e interagindo com o corpo de quem usa seja pela fé ou pela estética.
As novidades estão por vir, pore´m ainda em fase de idealização e pesquisa. Mas a energia e força mística continuará a fazer parte de todo o processo.
Fique Ligado! Seja Nosso devoto participando do nosso blog e enviando suas sugestões através dos contatos:
http://mercadodasalcavao.blogspot.com
orkut.: DaniBrito Mercado da Salvação

Invoque...Choque!

Até mais...

quarta-feira, 11 de março de 2009


Cem pratas de arte’

Saldão das artes plásticas

Pinturas e esculturas em técnicas diversas, assinadas por artistas de Juiz de Fora, Petrópolis, Rio de Janeiro e São Paulo, além de peças artesanais a preços populares, que variam de R$ 1 a R$ 100. É o saldão de ofertas das artes plásticas, realizado anualmente, com a mostra “Cem pratas de arte”, que desta vez passou de dezembro para março. A abertura será hoje, às 20h, na Casa de Cultura da UFJF. Mas não é preciso fazer fila na porta, como acontece nos saldões de eletrodomésticos, porque a exposição permanecerá em cartaz até o dia 3 de abril e haverá reposição dos trabalhos vendidos.

“Como cada artista tem direito a expor três obras, quem vender pode colocar outra peça no lugar, e, assim, a mostra vai se renovando”, explica a assessora de cultura da casa, Sandra Emília. Ela afirma que, pela primeira vez, os trabalhos seguirão uma linha temática, com elementos do universo feminino, e a noite de abertura também terá performances de dança com a bailarina Raquel Lara, em homenagem ao mês da mulher. Entre os artistas que integram a mostra, estão Ramón Brandão, Valéria Faria, Ricardo Cristófaro, Wagner Fortes, César Brandão, Norma Marchetto, Fernanda Tabet, Eveline Daibert, Nina Mello e Hilda Amaral.

- Abertura hoje, às 20h. Visitação de segunda a sexta, das 14h às 20h, na Casa de Cultura da UFJF (Av. Rio Branco 3.372 - Centro). 3215-4694. Até 3 de abril.

terça-feira, 10 de março de 2009

Moda tecnológica: vestido que infla, blusa que tira foto...

Moda tecnológica: vestido que infla, blusa que tira foto...

02.02.2006


Nerds também querem ser fashion. A segunda edição de Seamless: Computational Couture, evento de moda que apresenta projetos experimentais que combinam tecnologia e moda, aconteceu nesta quarta (01.02) no Museu da Ciência em Boston, EUA. Os participantes são pesquisadores de universidades que inventaram formas das roupas interagirem mais com quem as usa do que com o meio-ambiente.

As idéias propostas são interessantíssimas. A Heartbeat hoodie, de Diana Eng, é uma blusa com capuz que qualquer blogueiro gostaria de ter. Tem uma mini-câmera acoplada no alto com um sensor que tira fotos sempre que os batimentos cardíacos aumentam. Ou seja: os momentos "excitantes" da vida da pessoa são devidamente registrados.

O Space dress, de Teresa Almeida, é super trendy: o protótipo foi feito em off-white e tem "volume controlável". Ele infla de acordo com a vontade de quem o usa, transformando-se em um vestido balonê.

Taptap, de Leonardo Bonanni, Jeff Lieberman, Cati Vaucelle e Orit Zuckerman, é uma peça que pode ser usada da forma que a pessoa preferir e reproduz um "toque afetuoso" por meio de sensores. Tapinha e abraço para carentes.

Já ouviu falar em "vestido audível"? O Sonic fabric, projeto de Alyce Santoro com design de Boring Inc. e Jeannette Santoro, é feito de um tecido com 50% algodão e 50% fita cassete reciclada – isso mesmo, aquela fitinha que você usava no obsoleto walkman – e pode ser ouvido arrastando um aparelho especial por ele. O protótipo apresentado na Seamless toca Beethoven, Laurie Anderson, Jack Kerouac, baleias e até canções curandeiras de um xamã peruano. Tech-moda cult!

Fendi ghetto blaster é mais "performática" do que design. Francesca Granata transformou uma bolsa Fendi vintage dos anos 70 em um boombox, aqueles aparelhos de som que os funkeiros americanos carregavam na década de 70 e 80 pelas ruas para dançar. Ela usou a Fendi ghetto blaster para uma performance no Central Park chamada Pierre Bordieu goes to town, com músicas da banda King Kong, de Chicago. A performance discutiu as relações entre classes sociais e o mercado de luxo.

Veja imagem destes projetos na galeria e visite o
site da Seamless para saber mais.

A Moda referenciada na História do Design: afirmação de uma atividade projetual.

*por Diane Sousa da Silva Lima
foto – vestido americano 1862-64

O presente artigo vem a analisar o processo de surgimento do sistema da moda do ponto de vista da história do design com o intuito de legitimar o seu papel dentro da atividade projetual fazendo com que esta não seja mais encarada como anexo no que referencia ao acadêmico e, sim, como umas das mais precursoras atividades na trajetória do design durante a formação do período industrial. É perceptível atualmente um movimento maior da produção teórica científica de moda nos nichos intelectuais de design. Tal mobilização vem conseguindo trazer uma extensa conscientização sobre a importância da profissão do designer de moda, ao frear o preconceito abusivo, gerado pelo contexto fútil em que esta é envolvida – devido a sua intensa massificação – em que os profissionais da área são, em vezes, submetidos frente às demais atividades projetuais, de caráter menos volúvel.

Infelizmente, os conceitos pré-estabelecidos de divisões de gênero referentes à profissão, a vulgarização da palavra moda em diversos contextos ligados à frivolidade, acarreta aos profissionais e estudiosos o estigma de atividade mundana feminina e à parte do processo. O vestuário por ser um setor primordial no desenvolvimento do design, gerou o seu próprio sistema, ligado à mudança brusca e efemeridade, para um público burguês e em seu maior consumo feminino, que é a Moda. Dessa maneira o pensar masculinizado da sociedade contemporânea tende a segregar a produção da moda esquecendo da sua raiz histórica e mais ainda, desvalorizando os seus métodos de circulação nos meios, como nos figurinos das telenovelas e filmes, catálogos, revistas, desfiles, editoriais e etc. Ela passa a ser um sistema de fornecimento para principalmente, e não exclusivamente, o público feminino e devido a repulsa a esse contexto ainda presente no seio intelectual, tem a sua posição ilegitimada.

No sentindo de elucidar pura e simplesmente, busca-se a história para explanação dos fatos. A mesma divisão e ruptura existente entre o design e o artesanato onde um passa a projetar e o outro somente a produzir, sendo esse um dos marcos de caracterização fundamental do design, acontece na moda. Por volta de 1857, surge a alta-costura e a figura de um criador pela pessoa de Charles-Frédéric Worth, que vem a distinguir-se dos executores, alfaiates e costureiros, iniciando um processo de reelitização, frente à democratização do vestuário gerada pelo progresso industrial das confecções que permitiam à facilidade das cópias. Segundo Denis (1999) a industrialização primeiramente impulsionou-se com a fabricação de tecidos de algodão. O quase monopólio do comércio exterior que a Grã-Bretanha exerceu entre 1789 e 1815 possibilitou-os a praticamente sozinhos comercializarem em todo o mundo produtos como tecidos chás e louças, que trocados por escravos utilizados na plantação de algodão em países como Estados Unidos e Brasil, estimulava a indústria britânica a produzir mais e mais tecido. Uma vez exportados, retornavam ao ciclo, garantindo a cada novo intermédio um lucro exorbitante aos comerciários. Essa produção da indústria têxtil na Inglaterra ganhou tamanhas proporções que atingiu custos baixíssimos de execução, tornando-se acessíveis a uma grande classe de consumidores que antes jamais pensavam em adquiri-los. Essa situação inicia a era dos artigos de luxo, fruto da diferenciação que as mercadorias tinham que obter para atender ao público mais elitizado e sedento por distinção em relação a seus pares.

Com a evolução dos processos de mecanização nas indústrias têxteis, quem mais lucrava era o “designer” que ao projetar um único padrão decorativo de custo fixo, este sendo bem sucedido, podia ser veiculado e reproduzido de maneira ilimitada, fazendo desse setor um dos primeiros a se observar notável o emprego do profissional. A facilidade na reprodução gerou para a indústria o problema do plágio onde qualquer um poderia imitar o projeto tirando proveito do design alheio. Surgem assim as leis de patente e a figura do “designer” e da “marca”, elevando o sentimento do desejo no consumidor e, portanto o impulsionamento da compra. A imitação inicialmente promovida pela burguesia, classe em ascensão detentora de lucros, ávida por mostrar seu poderio, acontece no vestuário quando essa passa a querer se vestir de maneira semelhante à aristocracia, de títulos, aparência e iniciada decadência econômica. A elite para não se ver esteticamente igualada, renova a sua aparência, lançando outras tendências, garantindo a sua posição social e hierárquica, iniciando o ciclo da moda. Segundo Lipovestky (1989), “a moda também viria a servir como a expressão dos valores da cultura moderna, sendo o ideal e o gosto das novidades próprias da sociedade que se desprendem do prestígio do passado”, servindo tal afirmação para salientar que a origem da inovação não é somente uma característica social, é também intrínseca ao ser humano da sociedade moderna. Dessa maneira o sistema da moda lança seus primeiros meios de difusão dos fenômenos, ao utilizar inicialmente retratos pintados e bonecas que se difundiam da França em direção aos outros países da Europa e centros do mundo. Mecanismo caro surge posteriormente, no final do século XVIII, o journal de mode, dando margem ao aparecimento de revistas ilustradas com desenhos de modelos, que seriam adaptados e usadas geralmente pelas mulheres da alta burguesia.

Era corriqueiro também segundo Caldas (2004), até o século XIX, os magasins de nouvautés (lojas de novidades) onde eram distribuídos os artigos de moda na capital, que depois através da figura do caixeiro-viajante, tinham suas novidades como amostra de tecidos e aviamentos, levadas para as clientes abastadas do interior do país. Mas esse primeiro momento ainda não marcou a massificação da moda como a temos hoje. Após a segunda guerra mundial, a aceleração tecnológica das industrias possibilitou a área têxtil maior produção, e a resolução de problemas como a grade de tamanhos para fabricação em larga escala, facilitou a produção da roupa de qualidade em quantidade. Nasce assim o estilo americano de se fazer roupa, o ready-to-wear (pronto para vestir) traduzido e popularizado pelo francês prêt-à –porter. Surge assim um profissional que vem trazer a empresa o diferencial do estilo, da grife, da roupa com assinatura, produzindo, no entanto, em série: o estilista industrial. Este é caracterizado por ser seguidor de tendências, adaptando-as ao estilo do empreendimento que trabalha. Desenvolve-se então, um mecanismo industrial da moda com os birôs de estilo, o consultor de moda, os salões profissionais, revistas e todo um contexto midiático. O prêt-à-porter vem a ocupar o espaço da alta-costura, pela inacessibilidade de custo dessa ultima e pelo aparecimento das butiques, que trazem um conceito de modernidade jovem e sofisticado, comandando pelo novo estilista-criador (criador de moda), que desenvolve coleções prêt-à-porter com seu estilo pessoal.

Percebe-se, pois, que o que entendemos e vemos circular a respeito da moda são seus mecanismos de venda e de produção, frutos do seu próprio sistema, caracterizados pela efemeridade. A imagem primeira dos costureiros e alfaiates, depois do grande criador da alta-costura, do estilista industrial e mais recente do estilista criador, mostra a complexidade da estrutura e das necessidades que o consumo da moda criou. Após a derrocada da alta-costura o designer de moda (como generalizadamente entende-se hoje de acordo com o senso-comum) surge apontando seu papel dentro da atividade projetual que por preconceitos, e principalmente no Brasil, não é legitimado da mesma maneira como as outras variantes. Além disso, o fato de existir poucas academias especificamente de moda, possibilitando o estudo da sua história e do seu desenvolvimento produtivo, dificultou a transmissão dos saberes como algo não frívolo e sim de sistema efêmero com relevante importância na trajetória do design.

Até o final do século XIX, a vestimenta masculina era tão extravagante e impetuosa quanto a feminina. Após a Revolução Francesa há uma intensa simplificação da roupa de ambos os sexos que se mantém constante no vestuário masculino, mas que volta a exercer durante a Belle Époque , para a mulher, o caráter de ostentação. A figura do homem de negócios, ocupado demasiado para preocupações vestimentais corriqueiras, casa perfeito com a esposa ociosa burguesa, que vê no consumo da moda um tipo ideal de lazer. Interessante notar que é nesse período, como já visto anteriormente, que a moda começa a lançar os seus mecanismos de venda e de circulação, definindo para isso um público-alvo, mas não exclusivo, atendendo a essa camada mais propicia a compra. Isso quer assinalar que a generalização adversa ao fenômeno é um preceito advindo das sociedades modernas, devido ao extremo consumo feminino durante os cem últimos anos. Diante disso propõe-se uma maior firmação de espaço por parte dos designers de moda, seja essa prática, teórica ou discursiva, para que a profissão passe cada vez mais a ser vista não como projetora de futilidades para distração feminil, mas como um ofício que impulsiona o processo que o design hoje está inserido da mesma maneira que outras atividades projetuais gráficas ou de produto (ou ainda arquitetura, engenharia e artesanato), pois contempla e democratiza com o vestuário e seus acessórios todas as esferas sociais ao agregar à sua funcionalidade as razões do pudor, do adorno e da proteção.

Referências Bibliográficas

CALDAS, Dario. Observatório de Sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2004

DENIS, Rafael Cardoso. Uma introdução à história do design . São Paulo: Edgard Blücher, 2000.

LIPOVETSKY, Gilles. Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Tradução por Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1989 .

* Diane Lima é aluna do 3º semestre Design de Moda na Faculdade da Cidade do Salvador


Salve a arte e a moda celestes!

Salve a arte e a moda celestes!

Maria Judith Possani
Repórter

Seria a religiosidade a última moda no mundo fashion? Que Jesus Cristo, Maomé e Xangô perdoem a “heresia”, mas a resposta é sim. Já faz algum tempo que as influências de várias religiões estão presentes no vestuário feminino e masculino. Ainda em 1994, surgia a grife Complexo B, cuja peças com a figura de São Jorge são, até hoje, carro chefe nas vendas. Ultimamente, os consumidores brasileiros têm se deparado com influência ainda mais forte das imagens sacras, e principalmente dos santos de ajuda imediata e de causas impossíveis, como Santo Expedito e Santa Edwirges.

“Mais precisamente de cinco anos para cá, o mercado de moda no Brasil passou a explorar o misticismo e o patriotismo, justamente pelo país ser conhecido, em todo o mundo, pela fé e pelo futebol”, diz o estilista e produtor de moda juizforano Marcelo Mostaro, organizador do evento de moda e arte, “Estação dos santos”, que acontece amanhã, no Armário de Georgete. “Os santos deixaram de ser meras imagens para tornarem-se pop-art estampada em qualquer camisa”, completa.

Em Juiz de Fora, a tendência também está estampada nas criações exclusivas da estilista Dani Brito. Há um ano, ela lançou a grife Mercado da Salvação, durante o Fashion Days, na cidade. “Descobri que a satisfação e o desejo são o que motiva as pessoas a essa ‘devoção’, consumindo produtos que antes eram direcionados apenas a comunidades religiosas”, diz a estilista formada em Artes pela UFJF. Segundo Dani Brito, sua moda “fashion” é adquirida pelos mais diversos tipos de pessoas, independentemente de religião ou crença. “As pessoas estão sempre em busca de novas idéias e de novas identidades”, argumenta Dani. Hoje, a produção está pequena para atender às encomendas.

A coleção do Mercado da Salvação brinca com imagens sacras, trabalhadas com brilho e bordados, aplicadas em malha e cetim.

‘Estação dos santos’
Com toda a proteção divina, o evento deste sábado será uma junção de arte, moda e um quê de religiosidade, ainda que não estejam estabelecidos os limites entre o sacro e o profano. Estação dos santos marca a conclusão da segunda turma do curso de Produção de Moda e História da Indumentária do século XX, ministrado por Mostaro.

O estilista promete transformar a sede do Armário de Georgete em uma igreja barroca. Para isso, já está na fase final a montagem de seis altares dedicados cada qual a um santo. Os mesmos foram concebidos pelas alunas do curso. O altar de Pillar Melo, inicialmente, seria uma homenagem a Frida Khalo. “Depois que surgiram os santos como tema central do evento, resolvi adotar a Virgem de Guadalupe, que é do México (país onde nasceu Frida)”, explica Pillar.

A moça lançou mão de um sombrero enfeitado com penas mexicanas, uma coroa de santo, miniaturas de bonecos de plástico pintados de vermelho, como se estivessem sangrando, preto no vestido que veste o manequim e detalhes em vermelho. “Fiz, também, um link de Frida com o pintor americano Mark Ryden, igualmente adepto deste tema infanto-sinistro”, diz a produtora de moda.

Neste mix de instalação de arte e moda, que ainda ganha um toque luxuoso com relicários da artista plástica paulistana radicada em Tiradentes, Inés Zaragoza, haverá também um desfile, espécie de performance com as modelos saindo dos altares para o contato direto com o público. Cada aluna do curso de Mostaro elaborou três produções com peças das estilistas Bia Simões (Armário de Georgete), Simone Iunes Cortez (Primeiro as Damas) e Nívea Heluey (Salve a Rainha), que aproveitam para mostrar, nesta performance, seus lançamentos para a primavera/verão 2006/2007.

Bia Simões inspirou-se na mineiridade barroca para a nova coleção de sua moda em tricô. “As cores como vinho, bronze e verde são barrocas, bem como algumas estampas que lembram relicários, além de babados e rendas feitos à mão”, diz ela. As roupas do Armário de Georgete contrastam com o vintage do brechó Primeiro as Damas e com a linha de tecidos nobres da grife Salve a Rainha.

O final de tarde e início de noite deste sábado terão de trilha sonora música colonial barroca com batida eletrônica. Segundo Marcelo Mostaro, até a maquiagem será barroca. “As modelos usarão muito pó nos rostos. No período do Barroco em Minas, a mulher da elite era branca. Por isso usava-se muito pó-de-arroz”, explica Mostaro. De acordo com o estilista e produtor, no coquitel, serão servidos, entre outros quitutes, mandioca frita e coquetéis à base de pinga. Na parte externa da loja/teliê estará exposto um varal com orações, no melhor estilo literatura de cordel.

Relicários de Inés Zaragoza

Filha de mãe francesa e pai espanhol - o artista plástico e publicitário José Zaragoza (o Z da agência DPZ) -, a brasileira Inés Zaragoza retrata o folclore e a religiosidade de seu país com uma obra inusitada, por ela intitulada “Relicários”. Seus trabalhos chegam a Juiz de Fora depois de passarem por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Paris.

Curiosamente atéia, Inéz apresenta uma releitura de antigos santuários e oratórios, que propõe tirar os santos do ambiente austero das igrejas e recolocá-los no dia-a-dia das pessoas comuns, devotas ou não, de uma forma alegre e delicada (mesma proposta da moda).

A arte de Inés nasceu de sua paixão pela cultura popular e foi tomando forma ao longo de seis anos de pesquisas e viagens pelos cantos mais remotos do país. As festas religiosas e as manifestações culturais típicas de cada pequena cidade inspiraram e forneceram material, dando o tempero para suas criações.

Feitos a partir de pequenas caixas de madeira, os relicários da artista incrédula trazem imagens de santos católicos, orixás e até de Buda, misturando sucata, fibras naturais, medalhas, tecidos e miudezas. São decorados um a um, artesanalmente, com objetos que vão de lantejoula a pedaços de garrafa plástica. A atriz Regina Casé, a VJ Marina Person e a cantora Gal Costa estão entre os famosos “devotos” da obra de Inéz.

- Sábado, 22 de julho, a partir das 17h, no Armário de Georgete (Rua Machado Sobrinho 126/101 - Alto dos Passos).